Editorial

Ao futuro!

A história quase centenária da Votorantim inspira a todos que aqui trabalham. A coragem na tomada de decisões, a visão de longo prazo, a firmeza de propósitos, a resiliência diante das crises e a constante evolução da governança garantiram a nossa solidez até hoje. E geraram um ativo ao longo dos anos, nossa reputação, que muito nos orgulha.

Essa memória sozinha, no entanto, não garantirá a perenidade da Votorantim. O ambiente de negócios vem se transformando rapidamente: mercados globalizados e economia mais volátil e incerta impactam o desempenho das empresas e adicionam complexidade e ambiguidade aos nossos desafios. Isso exige uma capacidade cada vez maior de entender o ambiente à nossa volta e de buscar novas soluções.

As relações entre as pessoas no ambiente de trabalho também se tornaram mais complexas. Gestores devem se tornar líderes inspiradores, e funcionários devem deixar de cumprir apenas tarefas e passar a tomar decisões com maior autonomia. Autonomia essa que se conquista com senso de dono, equilíbrio e um bom julgamento acerca dos riscos e das consequências associados a tais decisões. E que sejam inovadores, pois assim contribuirão para diferenciar a Votorantim junto a seus clientes, fornecedores e demais partes interessadas.

A complexidade que se coloca à nossa frente deve ser vista como um sinal de alerta, e também como uma oportunidade de desenvolvimento, como uma nova forma de ver as coisas e de pensar os negócios.

Esta edição é dedicada a esse futuro que estamos construindo diariamente.

Boa leitura!


João Miranda
Diretor Presidente da Votorantim Industrial

Nossos Negócios Fabio Zanfelice

Bons ventos para Votorantim Energia

Toda crise pode apresentar oportunidades.
Para a VE, essa afirmação está sendo transformada em realidade

“Este é o momento da Votorantim Energia”, garante o novo diretor presidente Fabio Zanfelice, que assumiu o desafio de abrir novas frentes de atuação na VE e conquistar a liderança em comercialização de energia. A missão não é simples, mas o executivo vai investir na ampliação da empresa, que inicia investimentos em um parque eólico no Nordeste. Que os ventos continuem soprando a favor!

Nosso Grupo: Mesmo diante de um momento político e econômico desafiador no Brasil, você enxerga essa crise como uma oportunidade para a VE?

Fabio Zanfelice: Sem dúvida. Estamos vivendo uma crise energética por causa de condições hídricas desfavoráveis e de problemas estruturais do setor elétrico, que geram instabilidade regulatória e aumentam a percepção de risco de suprimento de energia. Diante disso, nós nos deparamos com inúmeras oportunidades. A Votorantim está bem posicionada, planejou-se para esse cenário, atendeu à demanda de energia de todas as suas unidades sem comprometer a geração de suas hidrelétricas. Não precisou ir ao mercado comprar energia para suprir seus negócios. Ao contrário, soube comercializar os eventuais excedentes no momento certo.

NG: Quais são os próximos investimentos da empresa?

FZ: A novidade é a nossa entrada no mercado de energia eólica, aquela gerada a partir do vento, com o Projeto Chapadinha. Investiremos R$ 1,1 bilhão em um parque eólico com aproximadamente 300 aerogeradores na região da Chapada do Araripe, divisa entre Pernambuco, Piauí e Ceará. Esse projeto é inovador, traz visão de futuro e inclui uma nova fonte de energia em nosso portfólio.

Fabio Zanfelice novo diretor presidente
da Votorantim Energia

NG: Em qual etapa se encontra o projeto de energia eólica?

FZ: Ele tem três fases de implementação e foi adquirido de terceiros em sua etapa inicial, já com a certificação do potencial do vento na região e a negociação para arrendamento de terras onde o parque será construído. A VE é responsável pelas demais etapas, incluindo análise financeira, projetos de engenharia e escolha do fornecedor de aerogeradores. Em 21 de agosto, vencemos o leilão do governo federal para fornecer energia para parte do consumo das distribuidoras do Brasil a partir de 2018. Comercializaremos a energia da primeira fase do Projeto Chapadinha (206 MW) em um contrato de 20 anos.

NG: Esse projeto irá mudar o cenário local. Vocês já têm alguma ação na comunidade?

FZ: Seguimos as exigências ambientais e estamos trabalhando com o Instituto Votorantim em um plano para implementar o parque eólico de maneira a levar crescimento sustentável e benefícios à população.

NG: O que o parque eólico trará de resultados para a VE?

FZ: Além dos resultados financeiros, há os benefícios associados aos novos conhecimentos que reforçarão as competências do nosso time, incluindo concepção de uma nova tecnologia, construção, operação e comercialização de energia. Esse projeto consolida nosso posicionamento no mercado e está alinhado com a nossa ambição de estar entre os melhores e maiores players de geração e comercialização de energia.

Acontece

Somos todos voluntários

No Desafio Voluntário foi assim: 120 equipes trabalhando em benefício de quem precisa. Nessa competição solidária, empregados e terceiros de todas as empresas da Votorantim formaram times para participar e ajudar 78 instituições sem fins lucrativos que eles mesmos escolheram. Arrecadar presentes, pintar e revitalizar espaços como brinquedoteca e biblioteca, organizar eventos como bingo, sessões de cinema e jogos esportivos foram algumas das mais de 5.000 ações realizadas, totalizando 14.000 horas de trabalho voluntário.

Cada etapa cumprida valeu pontos. No dia 4 de dezembro, foram anunciados os três vencedores. A equipe que se classificou em primeiro lugar levou o troféu do Desafio Voluntário e R$ 5 mil para a instituição que ajudou. O segundo lugar ganhou R$ 3 mil e o terceiro R$ 2 mil.

1º lugar

Equipe Liga do Bem, da Votorantim Siderurgia de Resende (RJ), com 21.355 pontos

A Liga do Bem fez transformações estruturais e ações motivacionais para empregados e alunos da instituição Apadevir/Cedevir, que assegura atendimento educacional especializado a pessoas com deficiência visual em Resende (RJ). “Fomos vencedores quando conseguimos a mudança que vislumbramos nas instalações, no pensamento de cada beneficiado e em nossa vida”, diz Joyce Rodrigues de Oliveira, analista de Gestão de Desempenho da VS.

2º lugar

Equipe Solidaço, da Votorantim Siderurgia de Resende (RJ), com 17.500 pontos

Além da doação de brinquedos, a equipe Solidaço fez diversas ações de melhorias estruturais na Associação de Moradores do Conjunto Habitacional da Cidade Alegria, em Resende (RJ). “Essa ação melhorou muito nossa integração com a comunidade e mostrou a ela que estamos aqui para somar e trazer benefícios para o local”, afirma Alex José da Fonseca, supervisor de Infraestrutura da VS e membro do time.

3º lugar

Equipe Solidários VC, da Votorantim Cimentos de Sobral (CE), com 11.695 pontos

A arrecadação de fraldas e alimentos para os idosos do Abrigo Sagrado Coração de Jesus, de Sobral (CE), feita pela Solidários VC não foi a maior ação dessa equipe. O carinho e a atenção que eles doaram e receberam dos residentes foram o que fez o Desafio Voluntário valer a pena. “Acreditamos que a solidariedade é o primeiro passo para tornar o mundo melhor”, declara Diego Carvalho Guimarães, técnico de Planejamento de Manutenção da VC.

Compromisso com a ética na prática

“Ciente da importância de seu posicionamento global no combate e na prevenção da corrupção e comprometida com altos padrões éticos em suas operações, a Votorantim vem aprimorando suas práticas e adotando medidas cada vez mais efetivas em favor de uma atuação ética e transparente. Um de nossos recursos para esse fim é o Programa de Compliance Anticorrupção.” Essa declaração da gerente geral de Governança, Riscos e Compliance, Ana Paula Carracedo, dá uma ideia do que foi debatido no evento sobre medidas anticorrupção organizado pela Votorantim em outubro.

No encontro, cerca de 80 líderes de todas as empresas, membros das áreas de governança corporativa, também ouviram os procuradores da República Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, que falaram sobre as propostas legislativas e as boas práticas de Compliance.

“O Jurídico da Votorantim atua diariamente em parceria com a área de Compliance na aplicação dos pilares do Programa de Compliance Anticorrupção, como compromisso da alta liderança, disseminação de regras claras, comunicação e treinamento para todos os níveis da organização. Tudo isso dá mais segurança jurídica à companhia”, diz Tatiana Bacchi Eguchi Anderson, gerente geral do Jurídico. A expectativa é que o debate auxilie na identificação de pontos de melhoria nas políticas de Compliance da Votorantim para que ela seja ainda mais efetiva na prevenção de irregularidades e trabalhe de maneira mais segura e protegida.

Saiba como foi o momento de interação entre os participantes e os palestrantes do evento na Votorantim.

Conheça as Dez Medidas Contra a Corrupção do Ministério Público Federal no site www.dezmedidas.mpf.mp.br.

Comportamento sempre seguro

“Segurança é inegociável.” Esse é o tema da campanha da Votorantim Metais (VM) que reforça as práticas de segurança da empresa. O objetivo é que todos os empregados entendam que o comportamento seguro é algo inegociável e precisa ser parte da rotina, tanto no ambiente de trabalho como em casa.

A campanha é organizada em três pilares: Comportamento Seguro, Regras de Ouro e Segurança Fora do Trabalho. Na primeira fase, 230 peritos em segurança, em sua maioria líderes das unidades, são treinados para que cada um forme 10 observadores de Comportamento Seguro.

Ao final de 2015, as Regras de Ouro, que passaram por uma revisão conceitual, serão disseminadas a todos os empregados. Fazem parte da programação, ainda, palestras para empregados e familiares, levando a segurança para a casa dos profissionais.

Roberto Moreira Campos, empregado
da VM, com sua família

Confira a mensagem sobre segurança de Tito Martins, diretor presidente da VM.

Tecnologia em compras

A Votorantim Siderurgia (VS) lançou um novo portal de gestão de processos de compra, o Portal de Fornecedores (e-Procurement). A ferramenta pode ser usada por todos os envolvidos no processo de aquisição de bens materiais e serviços, desde usuários internos e equipe de Suprimentos da empresa até fornecedores.

Por meio da plataforma eletrônica desenvolvida pelas áreas de Suprimentos e de Tecnologia da Informação da VS, com o apoio do Centro de Competência em Tecnologia da Informação (CCTI), realizar compras ficou mais fácil e automatizado.

Agora, fornecedores podem participar de concorrências on-line, os departamentos da empresa iniciam suas solicitações de aquisição de bens materiais e serviços de forma mais prática, diretamente no Portal, e a área de Suprimentos tem processos padronizados, otimizando custo e tempo.

A nova ferramenta está disponível desde novembro de 2015 e irá assegurar maior transparência e agilidade nas aquisições da empresa.

ABRANGÊNCIA DO PORTAL DE FORNECEDORES

Desafios de inovação

No início de 2015, a Fibria reformulou seu Programa i9, que tem por objetivo estimular a geração de ideias nos empregados para fazer algo diferente na sua rotina de trabalho. A nova modalidade se chama i9 Foco e propõe desafios a toda a empresa como forma de ampliar a contribuição dos profissionais. Em junho, por exemplo, as unidades industriais em Aracruz (ES), Três Lagoas (MS) e Jacareí (SP) foram desafiadas a encontrar alternativas para a questão “Como podemos aumentar a nossa eficiência energética?”.

Dois meses depois, 50 ideias já haviam sido geradas, e a liderança estudava a implantação das inovações. “No primeiro semestre, foram lançadas seis provocações, como as chamamos por aqui, que resultaram em bons projetos de melhoria de gestão em áreas como meio ambiente, produtividade e eficiência energética”, comemora Leandro Barros, coordenador de Sistemas de Gestão da Fibria e responsável pelo Programa i9.

Empregados da Fibria propõem melhorias nos processos da empresa

Educação financeira para todos

Você sabia que o controle da renda familiar é o primeiro passo para garantir o equilíbrio financeiro? O Banco Votorantim, por meio de sua Política de Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental, comprometeu-se a promover a educação financeira de seus empregados, de seus clientes e da sociedade. Em junho, o Banco realizou a Formação de Multiplicadores com 50 gerentes de relacionamento da BV Financeira, capacitados a levar conhecimento sobre orçamento familiar aos clientes.

O curso, ministrado por profissionais do Banco, apresentou maneiras de controlar os gastos. Em agosto, ocorreram os Encontros de Educação Financeira, nos quais especialistas do Banco e da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) debateram com os empregados sobre como o gerenciamento de suas finanças pode impactar sua qualidade de vida. A empresa também realizou uma palestra para 80 jovens do Projeto Viver, no Jardim Colombo, em São Paulo, sobre a importância do planejamento financeiro para a conquista dos objetivos pessoais.

Banco Votorantim capacita empregados para que eles possam ser multiplicadores de conhecimento sobre orçamento familiar

Ações de Valor Investimento social

Compromisso social
a qualquer tempo

Instituto Votorantim está ao lado das empresas trazendo soluções que favorecem o crescimento sustentável dos negócios

O cenário da economia brasileira apresenta inúmeros desafios para as empresas, inclusive na dimensão social. É necessário planejar melhor o orçamento e aumentar o impacto dos investimentos. Nesse cenário, o Instituto Votorantim apoia a captura de parcerias para alavancar o legado social da Votorantim. A sinergia entre o Instituto e as empresas garante uma trajetória crescente de investimentos, com resultados relevantes para a competitividade e a reputação dos negócios.

“O valor que as empresas da Votorantim destinam ao social aumentou. Em 2010, foram R$ 50 milhões. Em 2015, prevemos um aporte de R$ 73 milhões. Parte disso se deve ao alinhamento da atuação social com os desafios dos negócios. Outra parcela resulta das parcerias firmadas”, explica Rafael Gioielli, gerente geral de Planejamento e Desenvolvimento da Atuação Social do Instituto Votorantim.

Um dos exemplos é a parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que gerou R$ 70 milhões de investimentos entre 2010 e 2015. Neste ano, o escopo foi ampliado: serão R$ 110 milhões até 2020, possibilitando o aumento de projetos e municípios apoiados pelos programas ReDes e Apoio à Gestão Pública. Em julho, o Instituto assinou um acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, referência em projetos sociais, que prevê um aporte de US$ 1,3 milhão direcionado ao ReDes. “Também é nossa estratégia buscar parceiros com expertise reconhecida. É o caso do Sebrae, com quem empreendemos ações para fortalecer a base de fornecedores locais. Sem isso, os investimentos nesses projetos seriam 70% maiores”, conta Rafael.

Consultoria
social

O Instituto Votorantim irá assessorar o Banco Votorantim na reformulação de sua estratégia de responsabilidade social associada à visão de seus acionistas – Votorantim e Banco do Brasil. Isso contribuirá para a revisão das diretrizes de atuação social da empresa, por meio de seu programa de apoio a projetos sociais ligados a leis de incentivo e de voluntariado. “O conhecimento do Instituto, alinhado à estratégia de negócios, reforça nosso propósito de fazer diferença na vida dos clientes, gerando valor a acionistas, empregados e sociedade”, ressalta Jonathan Bendix Colombo, gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Banco Votorantim.

Outro destaque foi o acordo firmado com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para atuar no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Em 2014, foram disponibilizadas 4.900 vagas de capacitação técnica para atender às demandas da Votorantim. Em 2015, serão mais de mil vagas. Isso representa cerca de R$ 2 milhões de economia para a companhia. “Só é possível alavancar essas parcerias porque a atuação social das empresas é reconhecida pela sua qualidade . Nossa abrangência territorial e o rigor na gestão dão segurança aos parceiros”, finaliza Rafael.

Capa Futuro

O amanhã começa agora

Votorantim mantém o foco no amanhã garantindo hoje a eficiência operacional e tendo como parceiro seu maior patrimônio: as pessoas

As recentes manchetes de jornais não deixam dúvidas: a má gestão e a falta de governança podem afetar o valor e a imagem de toda uma organização, além de comprometer o seu futuro. A dificuldade de gerir indicadores e a ausência de estudos sobre mercado e tendências e de um olhar ampliado sobre o negócio impedem que uma companhia siga adiante de maneira produtiva. Resultado: muitas delas encontram-se trabalhando para enfrentar cenários pontuais.

“E elas deveriam estar preparadas para acompanhar a evolução e as eventualidades de seu setor”, alerta Edelmar Lima, especialista em Desenvolvimento de Gestão e Preparação Prática de Lideranças e sócio da Pro- Evoluir Consultores Associados. Antecipar-se é tomar as rédeas da ação, e não da reação.

Maneiras de se preparar para os momentos de adversidade incluem promover uma gestão com visão de longo prazo e investir em boas práticas de governança corporativa. “Em um momento como o que estamos vivendo, a governança é vista como pilar da ética. Isso tem reflexo na imagem e na reputação da companhia”, explica Heloísa Bedicks, superintendente geral do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

De acordo com Heloísa, é essa forte governança que contribuirá significativamente para a longevidade do negócio. A executiva alerta: “Não adianta pensar no futuro se o chão que se pisa hoje não dá suporte para transformar os objetivos do amanhã em realidade. E também não dá para continuar fazendo sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes”.

O FUTURO NA HISTÓRIA

Contra fatos não há argumentos. Em momentos de crise, a Votorantim sempre buscou oportunidades para driblar a situação e enfrentar as adversidades com o olhar do crescimento. A companhia se manteve firme em períodos difíceis da história. Na crise financeira de 1929, por exemplo, mesmo com a forte recessão no Brasil, os fundadores da Votorantim, com os lucros advindos da Fábrica de Tecidos Votorantim, iniciaram um processo de expansão dos negócios e, na década de 1930, inauguraram alguns dos principais ativos da companhia até hoje: a Fábrica de Cimentos Santa Helena (1936) e a Cia Siderúrgica Barra Mansa (1937).

Fábrica de Cimentos Santa Helena (1936)

Inauguração da CBA em 1945

Com a mesma solidez, a Votorantim superou outros momentos igualmente críticos, como a 2ª Guerra Mundial, na década de 1940, o abalo econômico do final dos anos 1980 e a falta de liquidez e a recessão decorrentes do Plano Collor, no início dos anos 1990. E continua fazendo isso! Na crise financeira global de 2008, por exemplo, a Votorantim realizou algumas transações comerciais bastante significativas, como a venda de 49,99% das ações do Banco Votorantim ao Banco do Brasil.

Inspirando pessoas

A solução seria, então, mudar. “Não apenas as metodologias, mas a maneira de ver e pensar, permitindo entender situações complexas”, revela Simon Robinson, autor do livro Holonomics: Business Where People and Planet Matter (em tradução livre, “Holonomics – negócios em que as pessoas e o planeta importam”). A publicação, assinada em parceria com a consultora Maria Moraes Robinson, ensina como responder a essas mudanças necessárias. O termo holonomics se refere a uma forma dinâmica e autêntica de entender as relações em um sistema de negócios contemplando a compreensão do todo. Com essa abordagem, é possível, por exemplo, interpretar a organização como um sistema vivo e dinâmico, que evolui e gera valor por meio das interações entre todos os envolvidos: líderes, gestores, empregados, clientes, comunidade, etc. Para começar a pensar diferente, Maria Moraes Robinson questiona: qual porcentagem da capacidade de criar e de resolver problemas dos profissionais de uma empresa é colocada em prática? “A menos que o ambiente, a liderança e a cultura da organização sejam coerentes e voltados para a inovação, muito pouco do potencial de cada pessoa estará realmente a serviço do negócio”, analisa a consultora.

Como inspirar sua equipe? Holonomics ajuda os líderes a entender o papel de cada um no todo, ou seja, como as partes interagem para formar o todo e como as relações entre as pessoas podem ser aprimoradas. Dessa forma, ideias podem emergir e ser implementadas. Para isso acontecer, o papel do líder é fundamental na criação de ambientes de confiança nos quais as pessoas podem se expressar autenticamente.

Novo modelo de governança

Segundo Maria Moraes Robinson, muitas pessoas vêm aprimorando seu sistema operacional mental, intitulado de Sistema Operacional Holonômico e formado por quatro formas de conhecer o mundo: sentimento, pensamento, sensação e intuição. Descobrir e vivenciar esses aspectos, recorrendo a eles para se relacionar com o mundo à sua volta – inclusive na esfera profissional –, pode ser bastante poderoso, principalmente para líderes e executivos que se encontram “fixados” no intelecto.

A companhia já começou no passado a atuar e formular suas estratégias pensando no futuro. Foi adotado um novo modelo de governança corporativa, que descentralizou as operações sem perder de vista os Valores da Votorantim (saiba mais no exemplo da Votorantim Industrial a seguir).

A nova forma de gestão reforça a preocupação cotidiana com os próximos passos. Em cada uma das empresas, as pessoas são desafiadas a encontrar respostas para grandes questões de seu segmento de atuação – são as chamadas alavancas de valor, que visam aumentar a geração de valor dos negócios no futuro.

O Ciclo de Planejamento é mais uma iniciativa voltada para o amanhã. Em sessões de Diálogo Estratégico, um recurso da companhia para compartilhar suas aspirações e refletir sobre as principais questões que colocam em risco a atratividade e a perenidade do negócio, a Votorantim estabelece uma aspiração para cada uma de suas empresas. “É um momento em que elas buscam enxergar sua capacidade competitiva e também o mercado, pensando na posição em que desejam estar no futuro”, explica Tulio Barcelos, consultor de Investimentos da Votorantim Industrial. Os Diálogos foram finalizados em julho e estruturados em planos estratégicos. O próximo passo é desdobrar os planos em metas para todos, deixando claro aonde a empresa quer chegar e como pretende fazer isso.

Integradas ao planejamento dos negócios, as iniciativas sociais, ambientais e de pesquisa são igualmente relevantes para a perenidade da Votorantim. Muitas são as metas das empresas voltadas para essas questões. A seguir, são apresentados alguns exemplos:

a Votorantim Siderurgia (VS) se comprometeu a reduzir 5% de seu consumo energético específico até 2020, considerando o ano-base de 2010;

a Votorantim Cimentos (VC) estipulou que, também até 2020, utilizará 30% de combustíveis não fósseis em suas fábricas de cimento, promoverá a inovação com a implementação de novas soluções, produtos e serviços sustentáveis e implementará planos de gestão de água para áreas de escassez em suas unidades de negócio;

a Fibria se propôs a duplicar, até 2025, a absorção de carbono da atmosfera e ajudar a comunidade a tornar autossustentáveis 70% dos projetos de geração de renda apoiados pela empresa;

a Votorantim Metais (VM), também para 2025, planeja obter avanços nos indicadores sociais estabelecidos para cada localidade, garantindo 90% de eficácia nos planos de desenvolvimento e relacionamento construídos para os locais prioritários;

a Votorantim Energia (VE) tem o objetivo de ser a melhor empresa do setor energético, atuando como um player com participação relevante no mercado. Para isso, oferecerá um portfólio cada vez mais sustentável, com as melhores soluções, a exemplo do projeto de energia eólica, gerada a partir do vento (saiba mais na editoria Nossos Negócios desta edição).

Um futuro sólido e de sucesso se constrói com empenho, inovação e planejamento. E a Votorantim vem trilhando esse caminho com responsabilidade e muitos exemplos de boas práticas. Para a companhia, o amanhã começa agora.

De olho no futuro

Confira, a seguir, algumas iniciativas da Votorantim que demonstram que para a companhia o amanhã começa agora.

  • Votorantim Industrial
  • Votorantim Industrial - Curitiba
  • Votorantim Metais
  • Votorantim Siderurgia
  • Votorantim Energia
  • Fibria
  • Votorantim Cimentos

Votorantim Industrial

EVOLUÇÃO NA GESTÃO DE PORTFÓLIO

Com a nova governança corporativa da Votorantim e a criação de Conselhos de Administração e Comitês de Assessoramento em todas as suas empresas, a VID passou a ter o papel de gestora de portfólio, adotando um olhar mais abrangente, que inclui estimular seus negócios a exercitar o pensar no futuro. “A interação acontece de forma colaborativa a todo momento, permitindo uma atuação mais ágil. Essa interação nos possibilitou realizar, em 2015, o Diálogo Estratégico da Votorantim, pela apresentação, por parte de cada uma das empresas, das tendências do seu setor, das ameaças e das oportunidades de negócio e de seus planos de longo prazo”, diz João Schmidt, diretor de Desenvolvimento Corporativo. Com esse modelo, a Votorantim amplia sua visão de futuro e se fortalece para enfrentar os desafios que virão.

Ponto de Vista João Cordeiro

Delegar para ganhar

Quando o líder abre mão da gestão centralizadora de suas equipes, ele contribui para maior engajamento e sucesso nas organizações. Entenda mais sobre os benefícios da autonomia

Liberdade na tomada de decisão. Essa é a definição de autonomia, a expressão da vez quando o assunto é um ambiente de alta performance, inovação e qualidade de vida. Os números justificam a “fama” da palavra: a pesquisa mais recente sobre o tema, a Workplace Survey de 2013, apontou que os profissionais com mais liberdade de escolha são mais felizes. Pessoas com autonomia têm uma taxa de alto desempenho de 76%, ante 71% dos sem autonomia. A liberdade na tomada de decisão também gera impacto no índice de inovação: ele é de 40% em equipes autônomas e de 32% em profissionais liderados com controles mais rígidos. Por isso, esse novo modelo de gestão tem sido praticado por empresas que buscam alta performance e lidam com desafios diários de inovação.

“Trabalhar em um ambiente que oferece possibilidade de escolha de tarefas, metas, local e jornada de trabalho dá ao empregado maior senso de dono. Mas essa autonomia vem acompanhada pela responsabilidade individual por suas decisões”, explica o consultor e psicólogo João Cordeiro.

Quando se oferece autonomia, a relação entre líder e liderado muda e exige mais transparência. A empresa deixa de lado a hierarquia mais rígida. O líder precisa abrir mão da retenção da informação e do controle da decisão. Já o liderado tem maior responsabilidade sobre suas atitudes e na entrega dos compromissos assumidos.

Cordeiro conta que a autonomia traz ganhos que já são percebidos em curto prazo, pois há mais engajamento dos empregados nas tarefas do dia a dia, na participação nas reuniões e, principalmente, com as metas.

Em um nível de autonomia ideal, o empregado tem flexibilidade para escolher seu horário de

OS SEIS ELEMENTOS DA AUTONOMIA 1º Delegação apostar que as pessoas são tecnicamente capazes de realizar as tarefas propostas

OS SEIS ELEMENTOS DA AUTONOMIA 2º Comunicação genuína é necessário perguntar e ouvir ativamente se elas podem, sabem e desejam realizar a proposta

OS SEIS ELEMENTOS DA AUTONOMIA 3º Negociação dar espaço para ajustes de prazos e ser flexível na medida do possível

OS SEIS ELEMENTOS DA AUTONOMIA 4º Confiança acreditar que o empregado vai dar o melhor de si

OS SEIS ELEMENTOS DA AUTONOMIA 5º Gestão por consequência agir imediatamente diante das metas não entregues ou em desvios de performance não justificados

OS SEIS ELEMENTOS DA AUTONOMIA Accountability (prestar contas) pensar e agir como dono e entregar resultados excepcionais

trabalho, desenhar fluxos para as entregas e definir conjuntamente suas metas com o líder. Esse modelo já é praticado em algumas empresas pelo mundo. “Um estudo realizado por uma multinacional mostra que a autonomia aumentou em 97% a qualidade de produção e de vida dos seus empregados”, afirma o consultor. João Cordeiro recomenda que cada companhia estude quais padrões de autonomia deseja oferecer aos seus empregados, de acordo com suas políticas e seus objetivos. “Mas, sem dúvida, esse novo jeito de trabalhar trará benefícios importantes para todos”, finaliza.

João Cordeiro é psicólogo pela PUC-Campinas, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com especialização em Gestão de Empresas pela FGV. Fundou a consultoria Max Estratégias Humanas para oferecer soluções de desenvolvimento e treinamento em Recursos Humanos.

Identidade Gente com autonomia

Autonomia
além do discurso

Na Votorantim, a autonomia para tomar decisões é um comportamento cada vez mais valorizado.
Confira iniciativas que demonstram como o protagonismo dos empregados é reconhecido pela liderança

Quando ouvimos falar em protagonismo, inovação e autonomia dos empregados, lembramos principalmente das empresas de tecnologia. Mas as relações de trabalho vêm passando por transformações também em organizações que atuam em outros segmentos. Na entrevista com o consultor e psicólogo João Cordeiro, na editoria Ponto de Vista desta edição, os números mostram as vantagens da autonomia.

Na Votorantim, esse comportamento é cada vez mais incentivado. Autonomia pressupõe assumir mais riscos com mais responsabilidade. E a Crença de Gestão Senso de Dono é uma clara demonstração de que a empresa valoriza os profissionais que assumem essas responsabilidades, transformam erros em aprendizados e lideram pelo exemplo. Programas como os apresentados a seguir buscam aumentar o protagonismo e a autonomia dos empregados. E os benefícios vão além de uma maior produtividade, promovendo a retenção de talentos, mais agilidade na tomada de decisão e estímulo à inovação e ao surgimento de novas lideranças.

Na ponta

A estratégia da Votorantim Cimentos (VC) tem como base a excelência no atendimento ao cliente e está dividida em quatro pilares: Foco no Cliente, Excelência Operacional, Práticas Sustentáveis e Gente com Autonomia. O principal objetivo desse último pilar é valorizar líderes que criem equipes fortes e engajadas para que, juntos, encontrem as soluções, sempre buscando sinergias inteligentes que tragam ganhos para todos.

Um exemplo de quem conquistou sua autonomia é Marcos Vinícius de Araújo Silva, chefe de Logística em Porto Velho (RO) e que está há três anos na VC. “Marcos já foi premiado várias vezes na empresa, e uma de suas qualidades é identificar talentos e preparar a equipe para formar sucessores”, conta Maria Fernanda Santos, consultora de Gente & Gestão da Regional Centro Norte da VC. A autonomia tem relação direta com a formação de sucessores: tanto o responsável por formar os talentos que estão construindo uma carreira na empresa deve ter abertura para orientá-los da melhor forma como os

profissionais em ascensão precisam aprender a ter mais segurança para tomar decisões e, assim, poder abraçar novas responsabilidades.

Na Votorantim Metais (VM), está em andamento o Programa Cultivando Lideranças, que tem como principal objetivo preparar os líderes para os desafios da companhia, tornando-os capazes de conduzir a jornada da empresa rumo a uma cultura de alta performance.

Segundo Jane Aparecida Teixeira, gerente geral de Atração e Desenvolvimento da VM, os conteúdos abordados nos treinamentos desse programa estimulam o autoconhecimento, além de despertar na liderança o papel de protagonista no desenvolvimento da sua equipe. “As pessoas são únicas, com crenças e valores diferentes, e são esses fatores que guiam seus desejos e suas ações. Mas nem sempre temos consciência disso. Portanto, é preciso trabalhar o autoconhecimento para que haja uma verdadeira transformação pessoal.”

Jane afirma que a companhia necessita de profissionais que liderem pelo exemplo, com protagonismo e aptidão para repassar os Valores da empresa às suas equipes. “A partir do momento em que a liderança está mais bem preparada, a equipe também está e pode ter mais autonomia para realizar suas atividades. Ao atuar nesse novo modelo, os empregados trabalharão mais engajados e serão mais produtivos”, explica.

Aproximadamente 400 gestores, entre supervisores, coordenadores, gerentes e gerentes gerais, já participaram do Programa. E é possível notar melhorias no ambiente de trabalho. As pessoas estão preocupadas não apenas com o cumprimento das metas, mas também com o próprio bem-estar e o de seus colegas e com as operações na planta. Um dos participantes do Cultivando Lideranças é Mauro Davi Boletta, que está há quase 30 anos na companhia e há quatro é gerente geral da planta de Cajarmarquilla, no Peru (veja depoimento no quadro abaixo).

Essas experiências comprovam na prática o que a teoria já indicava: a autonomia, quando aplicada com responsabilidade, estabelece um modo de trabalho no qual empresas e pessoas só têm a ganhar.